Feira do Fumeiro fomentou aparecimento das cozinhas

Feira do Fumeiro fomentou aparecimento das cozinhas

A Feira do Fumeiro foi, sem dúvida, o grande motor que impulsionou o investimento nas cozinhas regionais em Vinhais. Espaços dirigidos por mulheres que herdaram das suas mães e avós a sabedoria para confeccionarem o fumeiro. Um saber ancestral a que se juntam rigorosos critérios de controlo de qualidade. Todas as cozinhas são supervisionadas e laboram com todas as condições de higiene e segurança, um local onde o consumidor tem a garantia que o produto foi sujeito a um sistema de controlo independente, ao longo de toda a fileira de produção.

Cada estabelecimento de venda directa pode transformar anualmente até 3000 mil quilos de carne e vender num raio de 40 quilómetros. Todas elas foram impulsionadas pela Associação Nacional de Criadores de Suínos de Raça Bísara, responsável pela dinamização destes espaços que foram apoiadas em 50 por cento pelo programa AGRIS do anterior quadro comunitário.

A técnica da associação, Carla Alves, explica que estas cozinhas além de serem essenciais na dinamização do fumeiro em Vinhais e de serem responsáveis pelo incremento da raça bisara, pretendem “afirmar-se como fonte complementar de rendimentos para os produtores”.

Anualmente, esta actividade movimenta milhares de euros no concelho e estas pequenas empresas já entraram no circuito turístico do concelho, através da elaboração de um roteiro do fumeiro com mapas, apresentação dos enchidos e sugestões de como devem ser consumidos.

Deste circuito fazem também parte as cinco unidades industriais de fumeiro e postos de venda de animais.

O concelho de Vinhais, a par com o de Montalegre, é o que tem mais cozinhas regionais licenciadas em Trás-os-Montes e Alto Douro. Um factor que segundo Carla Alves está directamente relacionado com a tradicional Feira do Fumeiro que já se realiza há 32 anos naquela vila e que a tem afirmado como capital do fumeiro. “Os dois factores estão fortemente interligados, por um lado as cozinhas regionais nasceram da necessidade dos produtores se qualificarem para poderem responder às exigências da procura na feira, e por outro a feira também tem ganho dimensão porque a divulgação e qualidade deste produto tem vindo a crescer graças às cozinhas”, explica.

O certame começou com meia dúzia de produtores que no dia da feira quinzenal vendiam chouriças e salpicões em barraquinhas improvisadas. Actualmente decorre num espaço com 2500 metros quadrados visitado por milhares de pessoas. É aqui que se dá o pico de toda a actividade económica das cozinhas regionais que também estão licenciadas para vender outros produtos da terra durante o certame. Ao mesmo tempo que promove o fumeiro e a economia do concelho, esta feira representa também um cartaz turístico de Vinhais. Durante quatro dias, o município acolhe milhares de pessoas, que se deslocam essencialmente do Litoral Norte do país (Porto e Braga) e ultimamente até da vizinha Espanha.

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