Ser inteligente é criar valor, criar riqueza, desenvolver a economia

Ser inteligente é criar valor, criar riqueza, desenvolver a economia

Vinhais é um concelho do interior, que conseguiu ver no Fumeiro uma fileira que já gera seis milhões de euros anuais. Como? Acrescentando valor aos produtos, graças à certificação.

Numa altura em que tanto se fala da inteligência das cidades e dos territórios é importante destacar os casos exemplares de territórios rurais que, sem a visibilidade e o mediatismo dos urbanos, têm dados provas do que é inteligência e o desenvolvimento sustável.
O exemplo vem do concelho mais afastado da capital do país, que é Vinhais. Uma zona despovoada, que durante anos teve graves problemas de acessibilidades, como de resto todo o nordeste transmontano, mas que foi capaz, sem ensinamentos de fora, de criar de raiz uma estratégia de desenvolvimento económico que atualmente é responsável pela manutenção de 200 postos de trabalho diretos e de gerar negócios na ordem dos seis milhões de euros, o que para a economia local é uma verdadeira revolução.
Este processo começou nos anos 90. Em pouco tempo conseguiu-se o reconhecimento da raça. Essa certificação com Denominação de Origem Protegida (DOP), acrescentou-lhe valor, foi convencendo os produtores e, tem atualmente um efetivo reprodutor de 5800 fêmeas e 600 machos, espalhados por 200 explorações, situadas principalmente nas regiões de Trás-os-Montes, Minho e Beiras.
Carla Alves, técnica do município de Vinhais que entretanto integrou a Associação de Produtores de Suínos de Raça Bísara, avançou em 1995 com um projeto de certificação do Fumeiro de Vinhais, que como matéria-prima usa o porco bísaro, e já é o segundo concelho no país com mais produtos certificados com Indicação Geográfica Protegida (IGP): Salpicão de Vinhais (IGP); Chouriça de carne de Vinhais (IGP); Alheira de Vinhais (IGP); Butelo de Vinhais (IGP); Chouriço Azedo de Vinhais (IGP); Chouriça doce de Vinhais (IGP); Presunto de Vinhais (IGP); e Carne de Bísaro Transmontano.
Estes produtos são vendidos a “um preço justo”, o quilo de salpicão, por exemplo, custa 45 €, e são razão para que ano após ano, milhares de pessoas de todo o país se desloquem a Vinhais, na Feira do Fumeiro que este ano decorre de 8 a 11 de fevereiro, o certame gastronómico tem 38 anos, nestes dias estima-se que 80 mil pessoas visitem a vila de Vinhais, e só na Feira são vendidas mais de 50 toneladas de Fumeiro.
Todos os produtores têm, obrigatoriamente, de vender Fumeiro certificado, o que implica a aquisição de carne de porco bísaro, a confeção, secagem e cura, de acordo com os respetivos cadernos de especificações. Tudo é controlado ao detalhe e este processo dá ao consumidor uma segurança alimentar única, que garante o sucesso dos produtos.
O sucesso também se confirma pela procura crescente dos produtores, “note-se que a população continua a fugir das zonas rurais, o processo de despovoamento mantem-se acentuado e, mesmo assim, temos o número de produtores de Fumeiro a aumentar, estamos em contraciclo”, explica Carla Alves, que há mais de 20 anos assume a responsabilidade de liderar a organização da Feira.
Esta aposta no Fumeiro e na Feira do Fumeiro já foi ganha, mas a autarquia e os produtores não baixam os braços e continuam a percorrer os grandes meios urbanos, onde se concentra a maioria da população, a promover o certame gastronómico e os produtos.
Este ano, a organização espera também um aumento do número de visitantes. Essa expetativa sustenta-se no facto da Feira acontecer no fim-de-semana de Carnaval, com muitas famílias a aproveitar as miniférias escolares dos filhos para visitar a região, a Feira do Fumeiro e todas as festas tradicionais associadas ao Carnaval, nomeadamente os Caretos, com forte presença em Vinhais, Macedo de Cavaleiros e Bragança.

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